Banho apetece no outono - quando a temperatura equivale à estação mais fria do ano, como agora - e no inverno. Enquanto muita gente diz que é horrível ir para o chuveiro nos dias muito frios, eu penso que é aconchegante. Pela manhã é a continuidade do quentinho. Basta sair de baixo daquele monte de cobertas e correr para o banheiro. Tirar o pijama em um minuto, entrar no box e sentir a água escorrer. É como estar em um cubículo, espremida, tentando fazer com que todas as partes do corpo sejam atingidas pelo mundaréo de gotículas d'água.
Mas melhor ainda é chegar da rua, quando faz um frio cortante; ligar o aquecedor para tirar a umidade do ambiente, porque o banheiro costuma ser o recinto mais gelado da casa; despir-se com imensa agilidade, o que às vezes é difícil pela quantidade de roupas vestidas; por a mão embaixo da água corrente, para ver se já esquentou, e, finalmente ter a sensação de estar queimando. Queimando, queimando, queimando. Aí é só entrar com o resto do corpo. Com os pés também acontece. Entra um. Depois, o outro. É como se fervessem. Até que a pele atinge a mesma temperatura da água e a reação, provocada pelo estímulo externo, logo passa.
Vinte minutos mais tarde, em um dia em que os graus não ultrapassam o primeiro número de dois dígitos, vem a pior fase do banho. Movimentar a torneira sabendo que o resultado é o cessar da quente enxurrada... isso é cruel. A partir daí, os atos de se secar e de se vestir devem ser feitos como se a ação de tomar banho fosse o conteúdo de uma fita VHS sendo rebobinada, pois os movimentos são feitas ao inverso. Se antes era preciso tirar o pijama, agora é necessário vestir a roupa. Se antes a torneira era rosqueada para a esquerda, agora é a para a direita. E assim por diante.
Eu começo a ver o inverno por outro ângulo, com um olhar de apreciadora, o que, lhes asseguro, anteriormente eu não tinha. Nem o fato de passar frio, seja na rua ou em casa, tira a ótima sensação de pegar fogo ao começo e ao final do dia. A hora do banho está fazendo eu mudar meus conceitos. E é só o começo de um inverno diferente. Depois vêm as sopinhas, os cafés, os capuccinos, as noites de sono tapada até o nariz, os filmes acomapnhados de panelas de negrinho. Ah, mas cada um desse ítens vale um post a parte.
